
Numa perspectiva mais recente da
psicologia infantil, o psicólogo russo Lev Semenovich Vygotsky e seus
seguidores Luria, Leontiev e Elkonin, fecundaram os pressupostos teóricos
atuais sobre relação entre o jogo, desenvolvimento e aprendizagem da criança e
influenciaram as novas abordagens na educação de crianças com necessidades
educativas especiais.
De acordo com Vygotsky (2002), o jogo
desempenha um papel fundamental na formação do indivíduo. O jogo não é uma
atividade inata, mas sim decorrente das relações sociais, portanto carregado de
significação social, e varia de acordo com o tempo e com a cultura na qual está
inserido. No brincar a criança procede além do comportamento habitual de sua
idade, é capaz de ir além de seu desenvolvimento. O brincar cria uma zona de
desenvolvimento proximal, um campo de transição propício para mediar à ação da
criança com objetos concretos e suas ações com significados. É nesse sentido
que autor nos apresenta o jogo considerando dois elementos importantes: a
situação imaginária e as regras. Leontiev (1998) analisa a ZDP e enfatiza o
brincar como uma atividade que favorece a zona de desenvolvimento proximal, e,
permite mudanças no desenvolvimento das funções psicológicas que resultam em
ações mentais mais complexas. Para Leontiev, as características da atividade
lúdica são: a) o jogo tem um fim em si mesmo; b) o jogo exige a liberdade de
ação; c) todo jogo tem regras implícitas ou explícitas; jogar é uma atividade
consciente; d) o conteúdo da brincadeira provém da realidade social; e) a
situação imaginária resulta da substituição de significados dos objetos; f) a
brincadeira é uma atividade que pode ser generalizada; g) o jogo é a
concretização de uma situação que a criança não pode desempenhar na realidade.
Assim, a função didática do jogo está na possibilidade do desenvolvimento
cognitivo por dois motivos: o de permitir avanços além do desenvolvimento
efetivo da criança e o fato de que o processo do jogo é mais importante que o
resultado. O tipo de jogo praticado pelo sujeito percorre o caminho das
habilidades que necessita construir em seu desenvolvimento.
Por isso a indicação do uso de jogos
no AEE com alunos com deficiência intelectual contribuindo para o
desenvolvimento dos mecanismos de aprendizagem relacionados á memória, a
atenção, a transferência de aprendizagem, a metacognição e a motivação.
1 -JOGO
DA VELHA:
intervencaoespecial.blogspot.com/p/jogos.html
É um jogo muito simples de baixo
custo que poderá ser confeccionado pelo aluno com a orientação da professora do
AEE, cujo material utilizado será cartolina guache em qualquer cor, hidrocor,
régua e tampinhas de refrigerante em duas cores. Na construção do jogo
trabalha-se cores, quantidade, coordenação motora fina, possibilitando jogar em
dupla. Objetiva desenvolver a atenção, o raciocínio e pensamento que são
funções comprometidas pela deficiência intelectual.
2- JOGO DAS CORES
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O jogo das cores é também um jogo simples
de construir e de baixo custo. Será utilizado cartolinas guaches em quatro
cores, régua e hidrocor. Com a orientação da professora de AEE o aluno realiza
o traçado ou simplesmente monta de acordo com as suas habilidades. Na
construção do jogo trabalha-se as cores, formas geométricas, classificação e
seriação, quantidade e desenvolve a coordenação motora fina. Objetiva
desenvolver a atenção, o raciocínio e pensamento que são funções comprometidas
pela deficiência intelectual.
A
professora de AEE deverá sempre intervir, durante todo o processo de construção
e ações dos alunos durante o jogo, problematizando as diversas situações de
aprendizagem quanto as estratégias de jogadas usadas pelos alunos com relação
as regas, placares.
Referência:
Adélia de Lourdes
Matera Juliani -Professora PDE 2008. Professora Especialista da Rede Pública do
Estado do Paraná – Educação Especial: Sala de Recursos e Apoio à Comunicação no
Colégio Estadual Dr. José Gerardo Braga de Maringá - PR.
Leonor Dias Paini-Orientadora do PDE. Doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano USP/SP. Coordenadora do Curso de Pedagogia, Professora da área de Psicologia da Educação, Departamento de Educação da UEM (Universidade Estadual de Maringá), PR.
Leonor Dias Paini-Orientadora do PDE. Doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano USP/SP. Coordenadora do Curso de Pedagogia, Professora da área de Psicologia da Educação, Departamento de Educação da UEM (Universidade Estadual de Maringá), PR.
Muito interessante a indicação do uso dos jogos no AEE, com alunos com deficiência intelectual e as contribuições no desenvolvimento dos mecanismos de aprendizagem relacionados à memória, a atenção, a transferência de aprendizagem, a metacognição e a motivação. Parabéns pelo trabalho!
ResponderExcluirolá Roseane,obrigada pela contribuição.Jogos de fácil confecção,porém muito rico para prática.
ResponderExcluir20 de outubro de 2013 05:39
Uso muito estes jogos Roseane com meus alunos, além de serem fáceis de trabalhar com eles, desenvolvem resultados maravilhosos de atenção com meus pequenos. Parabéns.
ResponderExcluirÓtima oportunidade para conhecermos jogos interessantes como o seu! Parabéns!
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