sábado, 19 de outubro de 2013

O USO DOS JOGOS NO AEE

                                                            

          Numa perspectiva mais recente da psicologia infantil, o psicólogo russo Lev Semenovich Vygotsky e seus seguidores Luria, Leontiev e Elkonin, fecundaram os pressupostos teóricos atuais sobre relação entre o jogo, desenvolvimento e aprendizagem da criança e influenciaram as novas abordagens na educação de crianças com necessidades educativas especiais.
          De acordo com Vygotsky (2002), o jogo desempenha um papel fundamental na formação do indivíduo. O jogo não é uma atividade inata, mas sim decorrente das relações sociais, portanto carregado de significação social, e varia de acordo com o tempo e com a cultura na qual está inserido. No brincar a criança procede além do comportamento habitual de sua idade, é capaz de ir além de seu desenvolvimento. O brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal, um campo de transição propício para mediar à ação da criança com objetos concretos e suas ações com significados. É nesse sentido que autor nos apresenta o jogo considerando dois elementos importantes: a situação imaginária e as regras. Leontiev (1998) analisa a ZDP e enfatiza o brincar como uma atividade que favorece a zona de desenvolvimento proximal, e, permite mudanças no desenvolvimento das funções psicológicas que resultam em ações mentais mais complexas. Para Leontiev, as características da atividade lúdica são: a) o jogo tem um fim em si mesmo; b) o jogo exige a liberdade de ação; c) todo jogo tem regras implícitas ou explícitas; jogar é uma atividade consciente; d) o conteúdo da brincadeira provém da realidade social; e) a situação imaginária resulta da substituição de significados dos objetos; f) a brincadeira é uma atividade que pode ser generalizada; g) o jogo é a concretização de uma situação que a criança não pode desempenhar na realidade. Assim, a função didática do jogo está na possibilidade do desenvolvimento cognitivo por dois motivos: o de permitir avanços além do desenvolvimento efetivo da criança e o fato de que o processo do jogo é mais importante que o resultado. O tipo de jogo praticado pelo sujeito percorre o caminho das habilidades que necessita construir em seu desenvolvimento.
         Por isso a indicação do uso de jogos no AEE com alunos com deficiência intelectual contribuindo para o desenvolvimento dos mecanismos de aprendizagem relacionados á memória, a atenção, a transferência de aprendizagem, a metacognição e a motivação.


          1 -JOGO DA VELHA:
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          É um jogo muito simples de baixo custo que poderá ser confeccionado pelo aluno com a orientação da professora do AEE, cujo material utilizado será cartolina guache em qualquer cor, hidrocor, régua e tampinhas de refrigerante em duas cores. Na construção do jogo trabalha-se cores, quantidade, coordenação motora fina, possibilitando jogar em dupla. Objetiva desenvolver a atenção, o raciocínio e pensamento que são funções comprometidas pela deficiência intelectual.



  





          2- JOGO DAS CORES
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          O jogo das cores é também um jogo simples de construir e de baixo custo. Será utilizado cartolinas guaches em quatro cores, régua e hidrocor. Com a orientação da professora de AEE o aluno realiza o traçado ou simplesmente monta de acordo com as suas habilidades. Na construção do jogo trabalha-se as cores, formas geométricas, classificação e seriação, quantidade e desenvolve a coordenação motora fina. Objetiva desenvolver a atenção, o raciocínio e pensamento que são funções comprometidas pela deficiência intelectual.

           A professora de AEE deverá sempre intervir, durante todo o processo de construção e ações dos alunos durante o jogo, problematizando as diversas situações de aprendizagem quanto as estratégias de jogadas usadas pelos alunos com relação as regas, placares.


Referência:
Adélia de Lourdes Matera Juliani -Professora PDE 2008. Professora Especialista da Rede Pública do Estado do Paraná – Educação Especial: Sala de Recursos e Apoio à Comunicação no Colégio Estadual Dr. José Gerardo Braga de Maringá - PR.
Leonor Dias Paini-Orientadora do PDE. Doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano USP/SP. Coordenadora do Curso de Pedagogia, Professora da área de Psicologia da Educação, Departamento de Educação da UEM (Universidade Estadual de Maringá), PR.